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Somos aquilo que comemos...

Se é verdade que ‘somos aquilo que comemos’ então, optar por dietas de melhor qualidade nutricional é, para além de uma decisão mais segura, sobretudo uma decisão de amor.

Numa altura em que a segurança alimentar está na ordem do dia e no topo das preocupações dos consumidores é cada vez mais importante conhecer em pormenor os componentes alimentares de modo a assegurar a qualidade das dietas.

À medida que vamos adquirindo experiência no cuidado de animais de companhia, e em particular da sua alimentação vamos adquirindo cada vez maior conhecimento sobre ingredientes mas também surgem muitas dúvidas relativamente à relação qualidade/preço de alguns dos alimentos comuns disponíveis nos mercado. O pouco conhecimento do que significa a informação genérica colocada nos rótulos acaba por fazer com que muitas vezes se escolha com base nos apelos de marketing com a plena convicção de que estamos a tomar a melhor decisão.

As evidências mostram que animais jovens alimentados com dietas nutricionalmente pobres apresentam normalmente boa saúde, no entanto, à medida que atingem a idade adulta começam a manifestar-se as suas debilidades de saúde. Inesperadamente surgem sinais de envelhecimento precoce e sintomas de doenças crónicas degenerativas e todos os incómodos, custos e desgosto associados. Os ingredientes genéricos (sub-produtos de aves, ou de carnes) utilizados em muitas rações que encontramos à venda apresentam pouco valor nutricional, pouca consistência nos ingredientes, tendo como resultado um desempenho nutricional muito pobre.

Este tipo de rações são hoje consideradas das principais fontes de doenças, sobretudo alergias e problemas digestivos crónicos. Os animais de companhia são hoje atingidos por inúmeras doenças degenerativas incluindo obesidade, cancro, afecções da boca e do aparelho digestivo. Por experiências insatisfatórias acumuladas, começamos agora a tomar consciência que nas principais causas de doença e de morte prematura de muitos animais de companhia tem a sua origem nas dietas continuadas com base em ingredientes de má qualidade nutricional que intoxicam os organismos ao longo dos anos. Vários estudos tem sido publicados e é já do domínio comum que dietas pobres desgastam o sistema imunitário e criam condições para que surjam doenças crónicas sobretudo no fígado, rins e coração, mas também noutros órgãos, causando a sua falência prematura. Cerca de 50% dos animais com mais de 10 anos de idade desenvolve cancros e morre prematuramente.

 

Mas então, qual a diferença entre alimentos de boa qualidade e rações de má qualidade nutricional?

A pesquisa de informação e a experiência sugerem algumas áreas essenciais de diferenciação que deve considerar. Sugerimos ainda a consulta regular de revistas de especialidade onde encontrará artigos com informação sobre alimentação, e também sobre as várias áreas de interesse que o ajudarão a cuidar da melhor forma possível dos seus amiguinhos de 4 patas.

Genericamente os seres vivos precisam de proteínas, gordura, vitaminas e minerais para a manutenção do seu estado de saúde e bem-estar – nos rótulos das embalagens dos alimentos para animais de companhia estes ingredientes devem surgir descritos um-a-um por ordem decrescente da sua percentagem no conteúdo.

Proteína – deverá ser proteína animal de boa qualidade (human grade). Deve procurar por exemplo descrições como ‘farinha de frango’, ‘farinha de borrego’ ‘farinha de peixe’ e não aceitar designações genéricas como sub-produtos de carne ou peixe;

Gordura – são mais seguras as designações que identifiquem de que espécie é a fonte de gordura como por exemplo ‘gordura de frango’; Descrições como ‘gordura animal’ representam na sua maioria gorduras processadas em caldo, altamente saturadas e que ao serem processadas perdem a sua riqueza em ácido linoleico, necessário nomeadamente para a boa saúde da pele e pêlo.

Vitaminas – Substâncias nutritivas essenciais à vida que o organismo não é capaz de sintetizar. Deverão ser procurados descritivos detalhados das vitaminas presentes no alimento - A; C; D; E; B12; K; beta-caroteno; ou ácido fólico a titulo de exemplos.

Minerais – deverão estar descritos pormenorizadamente (ferro, cobre, zinco, magnésio, selénio, etc.) e de preferência incluídos na sua forma quelatada (proteinatos) já que esta favorece a sua absorção em mais de 40% face aos minerais na forma convencional.

 

Alguns dos ingredientes que deve evitar.

Toda e qualquer fonte de proteína ou gordura cuja espécie de origem não esteja identificada – ‘farinha de carne’, ‘gordura animal’. Bem como todo e qualquer ingrediente designado sub-produto, mesmo que a espécie esteja identificada – i.é. ‘sub-produtos de frango’.

Todos e quaisquer corantes, aromatizantes e conservantes artificiais. Designações como conservantes permitidos pela CEE (sim, leu bem. A legislação nem sempre é uma garantia de qualidade e segurança), BHA, BHT e ethoxyquin são hoje bem conhecidos como agentes com potencial cancerígeno.

 

Como identificar o resultado da dieta alimentar.

De modo a perceber se uma determinada dieta é ou não a mais indicada para o bem-estar do seu amiguinho deverá ficar atento a alguns aspectos do seu comportamento durante o período em que este consome um determinado tipo de alimento. Registe os aspectos negativos e positivos – a pele está saudável ou a escamar e o pêlo está brilhante e forte ou seco e quebradiço; as orelhas e os dentes estão limpos, os ouvidos, o pêlo e a boca cheiram mal. Como está o apetite e o nível de actividade/energia; come com vontade e com sinais de prazer como um abanar de cauda. Apresenta sinais de inquietude e até nervosismo, sinalizando mau estar. Apresenta flatulência e fezes consistentes e bem formadas ou apresentam uma consistência mole e odor forte.

Se decidir alterar a alimentação dos eu amiguinho faça-o de modo gradual, uma mudança brusca poderá causar complicações de estômago e de pele. Nunca se esqueça de disponibilizar sempre água fresca. Renovar a água regularmente poderá evitar a ingestão de bactérias que aí são depositadas pela boca e encontram ambiente óptimo para se desenvolver.

Mais tarde ou mais cedo alimentar o seu cão ou gato com maus ingredientes irá produzir maus resultados. Para tentar diminuir as consequências negativas a melhor opção poderá passar por ler atentamente e tentar compreender o significado dos ingredientes quando se deparar com o próximo rótulo de um determinado alimento. Fazer as suas opções com confiança cega pode não ser a melhor decisão. Informar-se e questionar os vários agentes envolvidos neste sector deverá ser um hábito de todos os donos que conscientemente procuram alimentar os seus amiguinhos da melhor forma possível.

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